A Joycar

300 vezes mais fatal que o Coronavírus

Segunda-feira, 9 de Março de 2020 às 16:48

Em um mundo cada vez mais divido, apenas uma preocupação tem unido todos os povos e países: o Coronavírus. Não importa se foi numa rodinha de violão ou no noticiário. Não importa se foi numa conversa de bar ou num gabinete presidencial – se você vive em 2020 (e não mora dentro de uma caverna sem WIFI) você certamente já ouviu falar nessa doença que começou no oriente e logo se alastrou pelo mundo.

 

Ao contrário do que sugerem as fake News, os órgãos oficiais afirmam que não há razão para pânico. O vírus, apesar de bastante contagioso, não tem uma taxa de letalidade alta. As medidas para evitar uma pandemia são simples e eficazes: lavar as mãos com frequência, cobrir a boca ao espirrar ou tossir e evitar tocar o rosto. Apesar de saber ainda pouco sobre o comportamento deste vírus, especialistas têm dito que com o passar do tempo ele deverá se dissipar e tornar-se apenas mais uma gripe existente no planeta.

 

Na semana passada, assistindo ao Jornal Nacional, o alarmismo e a ausência de informações claras sobre o tema me irritou. Na quarta-feira de cinzas, foram 21 minutos de cobertura com informações vagas e desencontradas. Fiquei pensando como seria bom se pudéssemos ver esse mesmo nível de atenção – em escala mundial – voltado a um assunto que envolve milhares de mortes todo os dias: os acidentes de trânsito.

 

Se a imprudência ao volante fosse um vírus, estaríamos diante da mais trágica epidemia dos tempos modernos. De acordo com a Association for Safe International Road Travel, 1,3 milhão de pessoas morrem todos os anos nas ruas e estradas ao redor do mundo. Além das mortes, outras 50 milhões de pessoas ficam gravemente feridas. Só no Brasil, na última década, 2,5 milhões de motociclistas entraram para a estatística de pessoas com invalidez permanente.

 

A solução definitiva para o Coronavírus está a caminho: vacina. Por enquanto temos que manter a calma, fazer a nossa parte cuidando da nossa higiene e ficar recluso se algum sintoma da doença aparecer. A não ser que você faça parte de um grupo de risco, essa doença não ameaça sua vida e nem a sua saúde de uma forma permanente. Mas, qual seria a solução definitiva para essa pandemia de acidentes?

 

Carros autônomos? Ruas e estradas mais seguras? Talvez. Até que os governos e a tecnologia consigam mudar o cenário, temos a obrigação moral e social de todos os dias levarmos a sério segurança no trânsito. Sempre dirigir dentro dos limites de velocidade. Nunca usar o celular. Nunca ingerir bebidas alcoólicas antes de dirigir. Nunca dirigir com sono. Sempre fazer as manutenções preventivas do carro. Se você usa aplicativos de motorista ou táxi, sempre perguntar a quanto tempo o motorista está trabalhando.

 

Espero que todas as vezes em que ouvir falar sobre o Coronavírus, você se lembre que, apesar de preocupante, ele ainda é bem pequeno perto do vírus da imprudência ao volante. Em dois meses, a Covid-19 matou 4.025 pessoas (worldometers.info/coronavirus). Neste mesmo período, morreram mais de 200 mil pessoas em acidentes de trânsito.

 

Leve a sério esse assunto e faça sempre a sua parte.

 

 

Rafael Taube

Fundador e CEO